NOTÍCIAS07/08/2026 Banco Central reduz Selic para 14% ao ano, mas juros seguem elevados e favorecendo apenas o mercado financeiro
A decisão foi unânime e, segundo o Banco Central, reflete a desaceleração da inflação e os primeiros sinais de arrefecimento da atividade econômica. Ainda assim, a instituição evitou sinalizar novos cortes nas próximas reuniões, afirmando que a continuidade do ciclo dependerá da evolução da inflação, do cenário internacional e das condições da economia brasileira. Para a Contraf-CUT, o corte representa um avanço, mas ainda insuficiente para reduzir de forma significativa o custo do crédito para famílias e empresas e estimular o crescimento econômico. “A redução da Selic é positiva, mas uma taxa de 14% ao ano ainda impõe um custo muito elevado para quem precisa de crédito, desestimula investimentos e limita a geração de empregos. O Brasil precisa continuar reduzindo os juros de forma responsável, acompanhando a queda da inflação, para fortalecer a economia e melhorar as condições de vida da população”, afirma o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale. Os balanços divulgados pelos principais bancos ao longo deste ano confirmam essa realidade: enquanto seguem registrando lucros bilionários, as instituições continuam fechando agências, reduzindo postos de trabalho e aumentando a sobrecarga das equipes. Esse cenário também está no centro da Campanha Nacional dos Bancários 2026. A categoria reivindica aumento real dos salários, valorização dos trabalhadores, melhores condições de trabalho e avanços nas cláusulas sociais. Até o momento, porém, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) ainda não apresentou respostas às reivindicações econômicas da categoria. “É contraditório que os bancos apresentem resultados tão expressivos e, ao mesmo tempo, resistam a reconhecer quem produz essa riqueza. Os bancários são fundamentais para esses resultados e esperam da Fenaban uma proposta que contemple aumento real, valorização dos salários e avanços nas demais reivindicações da campanha nacional. Não faltam recursos aos bancos; falta disposição para distribuir de forma mais justa os ganhos obtidos”, destaca Walcir Previtale. Na prática, uma taxa de 14% ao ano significa que o crédito continua caro. Financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais, crédito para empresas e financiamentos de veículos permanecem com juros elevados, limitando o consumo das famílias e os investimentos produtivos. Ao mesmo tempo, aplicações financeiras indexadas à Selic e ao CDI, como Tesouro Selic e CDBs, continuam oferecendo elevada rentabilidade aos investidores. Apesar da melhora dos indicadores, o Banco Central afirmou que seguirá acompanhando atentamente o comportamento da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional antes de promover novos cortes. Entre os fatores de preocupação estão as tensões geopolíticas, a volatilidade dos preços das commodities e a condução da política monetária nas principais economias do mundo. A Confederação ressalta, entretanto, que a política monetária precisa caminhar ao lado da valorização do trabalho. Em um momento em que os bancos seguem acumulando lucros bilionários, a expectativa da categoria é que a Fenaban apresente propostas compatíveis com essa realidade nas mesas de negociação da Campanha Nacional dos Bancários. Para a entidade, não há justificativa para que instituições que seguem entre as empresas mais lucrativas do país resistam a atender reivindicações como aumento real dos salários, valorização dos trabalhadores e melhoria das condições de trabalho. Afinal, são justamente os bancários e bancárias que garantem, todos os dias, os resultados expressivos divulgados pelo setor financeiro.
Fonte: CONTRAF • Veja outras notícias |
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