NOTÍCIAS08/05/2026 Escala 6x1 é denunciada no Senado como forma de violência estrutural contra as mulheres
A atividade reuniu parlamentares, pesquisadoras, representantes do movimento sindical e especialistas em políticas de cuidado e saúde do trabalhador. O debate foi solicitado pela deputada federal Luizianne Lins (Rede-CE), autora do requerimento que motivou a audiência pública. Na justificativa do pedido, a parlamentar afirma que a jornada exaustiva “não é apenas uma questão laboral”, mas uma dimensão da violência estrutural que atinge desproporcionalmente as mulheres. O documento destaca que mulheres submetidas à escala 6x1 frequentemente utilizam o único dia de descanso para realizar tarefas domésticas e de cuidado não remuneradas, ficando privadas do direito ao lazer, ao descanso e ao autocuidado. Juvandia: “Para muitas mulheres, a escala não é 6x1, é 7x0”Representando a CUT Nacional, a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil, Juvandia Moreira, afirmou que o debate sobre redução da jornada é também um debate sobre saúde mental, igualdade e combate à violência estrutural. Segundo ela, a sobrecarga enfrentada pelas mulheres ultrapassa a jornada formal de trabalho. “Muitas vezes, a nossa jornada não é ‘6 por 1’, mas sim ‘7 por 0’, porque após o trabalho externo ainda há o cuidado com a casa, filhos, idosos e alimentação”, afirmou. Juvandia ressaltou que estudos e estatísticas apontam que as mulheres acumulam cerca de 21 horas semanais de trabalho doméstico e reprodutivo, além da jornada remunerada. “Jornadas extenuantes também são uma forma de violência. É urgente reduzir a jornada legal, porque jornadas exaustivas levam ao adoecimento mental e ao burnout”, disse. Ela também relacionou o tema ao crescimento dos afastamentos por problemas psicológicos. “Dados do Ministério da Previdência mostram que 63% dos afastamentos por motivos mentais neste ano são de mulheres, reflexo dessa jornada tripla”, destacou. A dirigente sindical defendeu o fim da escala 6x1 com garantia de, no mínimo, dois dias de descanso semanal e afirmou que os ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias precisam ser compartilhados com a população trabalhadora. “Reduzir a jornada não corta produtividade: corta desigualdade, corta adoecimento e corta exaustão”, afirmou. Contraf-CUT: redução da jornada é questão civilizatóriaPara a Contraf-CUT, o debate realizado no Senado reforça que reduzir a jornada e combater a escala 6x1 são medidas fundamentais para garantir saúde, dignidade e igualdade às mulheres trabalhadoras. O secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira, o Jefão, afirmou que a audiência reforça a necessidade de tratar a organização do trabalho e violência de gênero como temas inseparáveis. Segundo ele, o movimento sindical tem pressionado o Congresso Nacional para avançar na redução da jornada sem redução salarial. “A luta pelo fim da escala 6x1 é uma luta por saúde, dignidade e qualidade de vida. É uma pauta trabalhista, mas também uma pauta de combate à violência estrutural contra as mulheres”, afirmou. Luizianne Lins: “O tempo também é um recurso político”Ao abrir a audiência, Luizianne Lins destacou que a divisão desigual do tempo aprofunda a vulnerabilidade feminina. “Discutir a escala 6x1 nesta comissão é reconhecer que o tempo é um recurso político e que sua distribuição desigual constitui uma forma de violência”, afirmou. A deputada citou estudos da Rede Brasileira de Economia Feminista (REBEF) e da Unicamp que mostram que mulheres submetidas à escala 6x1 podem ultrapassar 67 horas semanais de trabalho quando se soma a jornada remunerada ao trabalho doméstico e de cuidado. Ela ressaltou ainda que a escala afeta principalmente setores com forte presença feminina, como comércio, limpeza, hotelaria e enfermagem. Pesquisa DataSenado mostra agravamento da percepção da violênciaDurante a audiência, diversos participantes utilizaram dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, produzida pelo DataSenado e pelo Observatório da Mulher contra a Violência. A pesquisa entrevistou 21.641 mulheres em todo o país e é considerada a maior e mais longa série histórica sobre violência doméstica no Brasil. Entre os dados destacados no debate: Também foram citados dados sobre os impactos da violência na vida cotidiana das mulheres e o desconhecimento sobre mecanismos de proteção, como medidas protetivas e serviços especializados. Consulta Nacional dos Bancários inclui debate sobre jornada e escala 6x1A discussão sobre redução da jornada de trabalho também está presente na Consulta Nacional dos Bancários 2026, organizada pelo movimento sindical bancário. O questionário aplicado à categoria inclui perguntas específicas sobre jornada de trabalho e sobre a importância da pauta do fim da escala 6x1. A Contraf-CUT orienta que bancárias e bancários participem da consulta, contribuindo com a definição das prioridades da campanha nacional da categoria. A participação pode ser feita pelo endereço:
Fonte: CONTRAF • Veja outras notícias |
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