NOTÍCIAS27/05/2022 Pobreza extrema explode em São Paulo, e número de famílias nessa condição aumenta 30% em um ano
No entanto, no Brasil, a renda de uma pessoa para ser considerada em extrema pobreza é ainda mais baixa do que no resto do mundo. O Banco Mundial define como miséria a condição de uma pessoa que vive com até R$ 274 por mês. Mas o governo de Jair Bolsonaro mudou a definição do valor para considerar uma pessoa na extrema pobreza, rebaixando o mínimo para R$ 105 por mês. Com isso, o número de pessoas nessas condições é reduzido artificialmente. Assim, uma pessoa que tem como renda apenas o benefício do Auxílio Brasil, de R$ 400 por mês, tem uma renda média três vezes superior ao valor considerado pobreza extrema. No entanto, com a atual inflação e a perda de valor da renda dos trabalhadores, o Dieese estima que o valor mínimo para atender as necessidades básicas de uma família com quatro pessoas é de R$ 6 mil por mês. Ou 600 vezes mais que o valor considerado pelo governo Bolsonaro como extrema pobreza. Para a ex-ministra do Desenvolvimento Social Tereza Campello, a situação é ainda pior e não está sequer sendo registrada nos dados do Cadastro Único (CadÚnico). Ciclo da destruição“Está aumentando a pobreza e a extrema pobreza como um todo. Tem uma parte da população que está sendo despejada, que está indo para a situação de rua, mas tem uma parte que não está aparecendo nesses indicadores e que está vivendo um aumento da insegurança alimentar e a piora das condições de vida. Então a situação tem se agravado muito para uma parcela gigantesca da população”, adverte. A ex-ministra destaca que, ainda que a pandemia tenha uma parcela de culpa nessa situação, o aumento do número de famílias vivendo na pobreza extrema é resultado de uma desorganização completa da economia brasileira. Aliada a uma destruição do mercado de trabalho e das políticas sociais no governo de Jair Bolsonaro (PL). “Mesmo a população que está trabalhando, ela trabalha em condições precárias. E, portanto, com uma renda menor, em subocupação, trabalhando menos do que gostaria e ganhando menos. Então caiu a renda média da população para amplos setores, mas principalmente para a classe média baixa e a população pobre. E jogou muita gente na pobreza e na extrema pobreza. Há uma desorganização de um mercado do trabalho no Brasil. Junto com isso, houve o desmonte das políticas sociais que poderiam mitigar parte desse impacto”, acrescenta. Projeto do golpe de 2016Entre as políticas apontadas por Tereza que foram desmontadas, estão as de segurança alimentar e nutricional e as de assistência social, que sofreram um corte de 67% no orçamento nos últimos anos. O coordenador do Fórum da Assistência Social da cidade de São Paulo, Allan Carvalho, concorda com Tereza a vai além: ele afirma que essa situação começou a ser forjada no golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2016. “Ele não era apenas um golpe que visava derrubada de poder. Era um movimento que queria implantar um outro projeto, um projeto oposto. E ao contrário de um estado protetivo, um estado nem mais neoliberal, é ultraliberal. Tanto que uma das primeiras medidas, lá atrás, foi a criação do Teto de Gastos. Ele feito para materializar e tornar legal os sucessivos cortes nas políticas públicas que se pretendia fazer. Só que como isso são medidas impopulares e a população sente o impacto, quando você denuncia, você explicita que o que está sendo cometido é uma decisão de governo. Mas quando dá uma áurea de lei para uma medida dessa natureza, você consegue o mesmo efeito de sangrar os recursos. E você diz que está cumprindo a lei, como se a lei fosse algo criado do nada”, contesta. Allan também afirma que a inação do governo Bolsonaro, em meio à pandemia, agravou ainda mais a situação. Nesse caso, pela demora para aplicar políticas como o auxílio emergencial e de manutenção dos empregos. Desmonte do CadÚnicoTambém coordenador do Fórum dos Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social do Estado de São Paulo (FET Suas-SP), Allan ressalta que houve um imenso desmonte no CadÚnico. Nesse processo, além de cadastros desatualizados, há menos mão de obra e serviços para atender a população, resultando em milhares de excluídos dos programas sociais. Apenas na cidade de São Paulo, 83 mil famílias cadastradas no CadÚnico não recebem nenhum benefício. Ele lembra ainda que a extinção do Programa Bolsa Família, substituído pelo Auxílio Brasil, prejudicou ainda mais o enfrentamento da pobreza no Brasil. O programa de Bolsonaro não diferencia as condições das famílias e o número de pessoas. Qualquer benefício pago é de R$ 400, seja um adulto sozinho, seja uma família de quatro pessoas. Também não tem nenhum vínculo com outras políticas e ações de caráter emancipatório, como preconizava o Bolsa Família. Os distritos com o maior número de famílias vivendo em extrema pobreza são Jardim Ângela, Jardim São Luís, Grajaú, Pedreira e Cidade Ademar, na zona sul, e São Mateus, na zona leste. Saiba mais na reportagemFonte: REDE BRASIL ATUAL | Foto: Jorge Araújo/Fotos Públicas |
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