NOTÍCIAS08/07/2020 Bancários debatem impactos do teletrabalho e a crise econômica do Brasil
Neste ano, os bancários assistiram a análise de conjuntura com o sociólogo Jessé de Souza, autor de livros de grande repercussão e fundamentais para entender o Brasil de hoje, entre eles A Elite do Atraso: da escravidão à Lava Jato e A classe média no espelho: Sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade e também da doutora em sociologia Daniela Ribeiro de Oliveira que abordou sobre teletrabalho tema de fundamental relevância hoje e que ganhou ainda mais força com a pandemia no mundo todo. Jesse de Souza fez uma crítica ferrenha à Lava Jato, chamado de máscara nova de um jogo velho criada com a ajuda dos Estados Unidos com o falso discurso de combate a corrupção o que resultou no Brasil falido, desmoralizado politicamente e num abismo social. “Apesar de alardeada pela imprensa como a salvação do Brasil, a Lava Jato não teve nenhum aspecto positivo, pelo contrário deu abertura para se criar um candidato racista, corrupto e totalmente despreparado”. Ele também lembra que no Brasil, o racismo tem se manifestado explicitamente contra o povo pobre, mestiço e negro sob a máscara dourada do falso moralismo do combate a corrupção. “A elite branca explora a sociedade, seja através de juros, seja pela dívida pública e pela altíssima taxa de juros. O que está acontecendo atualmente no governo Bolsonaro e de Donald Trump, nos Estados Unidos, tem a ver com a exploração da sociedade onde o rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre e marginalizado se endividando cada vez mais para conseguir pagar de 200 a 300% das taxas de juros dos cartões e cheques especiais”, e finaliza dizendo que a única saída para esta crise é analisar o tamanho do desastre criado pelo atual governo e tentar refazer o estado com a ajuda de todos. “Uma grande revolução que tem de acontecer mais cedo ou mais tarde. E compreender os fatos como acontecem é fundamental para saber como agir e para onde agir”, conclui Jesse de Souza. Teletrabalho: trabalho sem fim“O teletrabalho que antes parecia uma linha longe no horizonte se tornou realidade de maneira acelerada no mundo todo”. Essa frase é da doutora em sociologia Daniela Ribeiro de Oliveira que fez sua palestra sobre o Trabalho Home Office, tema atual por conta da pandemia de coronavírus e por intermédio do movimento sindical levou 200 mil trabalhadores para essa nova modalidade desde o início dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil. A doutora explica que fez uma pesquisa inicialmente com os profissionais de TI, entre 2013 e 2017, e se baseou em três eixos: home office; perspectivas do trabalho flexível na geração Y e a criatividade. E descobriu ainda a maneira com que eles fazem a gestão tempo e do espaço em casa; como se dá a organização do trabalho e a criatividade que utilizam quando optam por trabalhar em lugares externos como cafés e coworkings. “Percebi claramente como eles apresentavam o home office como vantagem já que tinham a liberdade de executar o trabalho de qualquer lugar e ainda, em muitos casos conciliavam com viagens e com a possibilidade de não ter mais residências fixas. Mas também pude perceber as desvantagens, já que maioria apontou que quem não está sendo visto é mais complicado para conseguir promoção, não é lembrado e as pessoas acham que o profissional não trabalha”, diz. Ela também comenta que o teletrabalho é mais complexo e gera uma maior sobrecarga para a mulher. Já que o trabalho se funde com os afazares de casa e sem têm filhos, complica ainda mais. “Tem algumas empresas que estipulam dentre as condições de home office que o profissional bata 15% ou até mais da meta estipulada para o dia em relação a quem está no escritório. E isso é muito desgastante. Porque a empresa não leva em conta a série de acontecimentos que o profissional precisa administrar quando se está em home office”, diz. Tem de haver limitesA pesquisadora ainda alerta para os futuros problemas que o home office pode ocasionar ao profissional e no momento de construir legislação mais efetiva, é preciso haver uma organização de seus representantes na construção de garantias e preservação da saúde mental e física desses profissionais nessa nova modalidade de trabalho. “É preciso saber como estipular e cobrar metas e objetivos, se atentar para o volume de reuniões virtuais, limitar a quantidade de mensagens e grupos de trabalho, e por fim as jornadas estendidas para evitar esgotamentos físicos e mentais aos profissionais”, conclui Fonte: SEEB SP |
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