NOTÍCIAS25/06/2018 Fenae e Sindicato dos Bancários vão ao MPF contra privatização da Loteria Instantânea
No encontro, foi protocolado ofício no qual os dois presidentes apontam os principais pontos que demandam questionamentos, especialmente em função dos prejuízos que a medida trará à Caixa Econômica Federal, ao erário e ao interesse público. Também foi entregue documento que detalha em tópicos o histórico da situação da Lotex e questões como a exclusão da Caixa da exploração do serviço e a inexistência de um marco regulatório do setor. “O primeiro ponto que questionamos é a própria privatização. Com temos dito e reafirmamos ao procurador, nunca foi demonstrada a vantagem de entregar a modalidade para a iniciativa privada. A Caixa tem experiência de mais de 15 anos na operação da Loteria Instantânea e uma rede lotérica espalhada por todo o país. Ou seja, o próprio banco tem condições de alcançar maior eficiência nesse serviço. Além disso, a medida é uma ameaça ao caráter 100% público e social da Caixa”, afirma o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira. Outro questionamento importante diz respeito ao valor mínimo de outorga: R$ 542 milhões, pelo período de 15 anos. Segundo estimativas do Banco do Brasil, a concessionária arrecadaria, em apenas um ano, cerca de 7,6 vezes mais. Já a Caixa sofreria perda de receita potencial anual da ordem de R$ 4,2 bilhões. Considerando outra estimativa, a do Tribunal de Contas da União (TCU), a arrecadação da concessionária seria correspondente a 4,5 vezes a outorga mínima. Trata-se, portanto, de prejuízo ao erário e ao interesse público. Também é alvo de contestação o fato da Caixa ter sido retirada do processo. O edital exige como requisito de qualificação técnica a experiência na operação de loteria instantânea cuja receita mensal bruta, decorrente da comercialização de bilhetes físicos e/ou apostas virtuais, seja igual ou superior a R$ 100 milhões. “Essa exigência é abusiva e ilegal. Retirou operadores nacionais, a exemplo da Caixa, o que é um claro direcionamento da licitação a empresas estrangeiras. Além disso, ignorou completamente o potencial do banco”, acrescenta o presidente da Fenae. Eduardo Araújo destaca outra ameaça: diminuição dos repasses sociais feitos pelas Loterias Caixa. “Essa é uma importante fonte de recursos para áreas como cultura, esporte, educação, segurança e saúde. Não há na iniciativa privada e no atual governo o interesse em garantir a continuidade desse modelo, que beneficia, sobretudo, os mais carentes. Tanto que no edital de privatização da Lotex, já há uma redução do percentual dos repasses. E nesta semana o governo retirou verba do Fies para segurança pública”, frisa. De 2011 a 2016, as loterias arrecadaram R$ 60 bilhões, dos quais R$ 27 bilhões (45%) foram de repasses sociais. Em 2017, foram R$ 13,88 bilhões arrecadados e R$ 6,44 bilhões transferidos. “Não podemos permitir retrocessos em relação a esses repasses, que são fundamentais para programas e fundos como o Fies, o Fundo Nacional de Cultura e o esporte olímpico e paralímpico, entre outros”, finaliza Jair Ferreira. Fonte: Fenae |
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