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10/03/2017

Crescimento da extrema direita e impactos tecnológicos ameaçam empregos no mundo

Os dois primeiros palestrantes do painel “Futuro do Emprego” realizado na tarde desta quinta-feira (9) no Congresso Extraordinário da Contraf-CUT destacaram os cenários sombrios nacional e internacional que atingem o debate sobre emprego e trabalho no mundo. A complexidade dos quadros políticos em todos os continentes e na maior economia do mundo, com a ascensão de Trump nos Estado Unidos, traz perplexidade e até mesmo o questionamento sobre o significado da crise e até mesmo sobre o fim do sistema capitalista.

Moisés Marques, professor da Associação 28 de Agosto, fez um panorama dos embates políticos que se travam em todo o mundo, destacou os casos da Turquia, da Síria, do surgimento do Estado Islâmico, o golpe na África do Sul, o fortalecimento da extrema-direita na França, o enfraquecimento da Comunidade Europeia, instabilidade na Coreia do Norte, Filipinas, mudanças políticas na Índia e nos países da América do Sul e Central. E enfatizou, ainda o que o governo Trump pode representar nas relações internacionais, em termos políticos e econômicos, seus impactos na Europa e na China.  O surgimento de lideranças de extrema direita e a multiplicação de golpes de estado em governos legitimamente eleitos, as guerras civis, o crescimento da imigração, dos refugiados, todas essas questões, segundo ele, são cenários preocupantes para o futuro da democracia e do emprego.

Junta-se a isso as mudanças tecnológicas, como por exemplo o aumento da velocidade dos dados (hoje já é possível a mesma velocidade do cérebro humano), a internet das coisas, impressoras 3D, plataformas de conhecimentos, entre outros como fatores que terão consequências sobre emprego: “ O futuro não é mais como antigamente (referindo-se à canção do grupo Legião Urbana). As pessoas estão sendo relegadas a segundo plano, o desemprego entre jovens assola países África, Oriente médio e da América do Sul como o Brasil “, afirma.

A professora Carla Regina M. A. Diegues, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, discorreu sobre o fato da questão de o emprego já estar posta desde o final dos anos setenta, quando se começou a falar em automatização, flexibilização, robotização, terceirização, reestruturação produtiva fim, do bem-estar social, que transformaram profundamente com o mercado de trabalho.

O que estaria em jogo atualmente, que diferencia deste processo, é que agora o que está sob ameaça são os empregos formais para pessoas escolarizadas. “A população não escolarizada há tempos, em sua maioria, está fora do mercado formal de trabalho e a terceirização tem sido regra e não exceção. Houve uma expectativa com o governo Lula de que o quadro de informalização fosse revertido, uma vez que o emprego formal no Brasil em seu governo chegou a 50%. Esta expectativa não se confirmou, o impeachment e o agravamento da crise econômica a níveis nunca vistos no Brasil e a ainda, a Reforma da Previdência, que vai obrigar as pessoas a trabalhar até morrer, trazem muitas dúvidas. O cenário do futuro do emprego não é nada animador” afirma.

Segundo a professora há ainda aumento dos casos de pessoas se tornarem completamente desinteressadas pelos vínculos de trabalho: “O trabalho perde o significado e deixa de ser fator de formação de identidade. As pessoas passam a deixar de ser força de trabalho. Isso nos faz pensar inclusive que possamos estar vivendo o momento de uma virada anticapitalista”, afirmou.

Fonte: Contraf-CUT

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