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13/12/2012

Geração de empregos nos bancos cai 84%; privados demitem 7 mil até setembro

O sistema financeiro nacional gerou 2.876 novos empregos entre janeiro e setembro de 2012, o que representa uma queda de 84,2% em comparação com o mesmo perí­odo do ano passado. Embora pequeno, o saldo positivo deve-se às contratações dos bancos públicos. Nas instituições privadas, houve fechamento de 7.286 postos de trabalho nos primeiros nove meses do ano, não contabilizadas aí­ as mais de duas mil demissões efetuadas pelo Santander em dezembro.

A rotatividade de mão-de-obra continua sendo utilizada pelos bancos para reduzir os salários. Nos primeiros três trimestres de 2012, o salário médio dos trabalhadores contratados foi 38,65% inferior ao dos desligados. E as mulheres continuam ganhando menos que os homens nas instituições financeiras.

Essas são as principais conclusões extraídas do cruzamento das demonstrações financeiras dos bancos de janeiro a setembro com os resultados da 15ª edição da Pesquisa de Emprego Bancário, realizada trimestralmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

> Clique aqui para acessar a pesquisa Contraf-CUT/Dieese completa.

Entre janeiro e setembro, os bancos desligaram 32.073 trabalhadores e contrataram 34.949, o que resulta na criação das 2.876 vagas. No mesmo perí­odo do ano passado, no entanto, o saldo positivo de empregos nos bancos foi de 18.167 postos. Foi uma queda brusca de 84,2%.

Os bancos foram responsáveis por 0,6% do 1,25 milhão de novos empregos gerados pela economia brasileira nos primeiros nove meses de 2012.

As informações do Caged aqui disponibilizadas mostram apenas a evolução do emprego no setor de atividade e não por empresa, já que este dado é mantido em sigilo pelo Ministério do Trabalho. As demonstrações contábeis dos bancos, porém, mostram que as instituições financeiras públicas apresentam saldo positivo de emprego nos três trimestres do ano e que o fechamento de postos de trabalho está concentrado nos grandes bancos privados, especialmente no Itaú Unibanco.

> Clique aqui para ver o quadro.

"A sociedade brasileira não pode aceitar que os bancos privados, que são o setor mais rentável da economia, boicotem os esforços do governo e dos outros setores de incentivar o crescimento econômico, a geração de emprego e a inclusão social. Essa postura irresponsável e mesquinha contribui para a concentração da riqueza num país que já é um dos 12 mais desiguais do planeta", critica Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

"É inaceitável que os trabalhadores paguem a conta desses ajustes dos bancos para manter os seus lucros gigantescos e continuar se apropriando da renda do país, graças à cobrança dos spreads, juros e tarifas mais altos do planeta", acrescenta Cordeiro.

A Contraf-CUT encaminhou ofício ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, solicitando audiência para discutir o processo de reestruturação no sistema financeiro, buscando medidas para garantir a proteção do emprego dos bancários e a defesa dos interesses da sociedade brasileira.

Rotatividade reduz salários

De acordo com a pesquisa Contraf-CUT/Dieese, a remuneração média dos trabalhadores admitidos foi de R$ 2.693,79 e a dos desligados de R$ 4.390,87 nos primeiros três trimestres - uma diferença de 38,65%. Na economia brasileira como um todo, a diferença entre a média salarial dos contratados é 7% inferior à média salarial dos demitidos.

"Isso demonstra claramente mais uma vez a estratégia cruel dos bancos de utilizar a rotatividade para reduzir a despesa de pessoal", critica Carlos Cordeiro.

"Essa é uma política extremamente prejudicial à categoria, porque além de rebaixar a média salarial deixa os bancários permanentemente em tensão por medo de demissões", acrescenta. "Isso é uma violência, porque o sistema financeiro não enfrenta nenhuma dificuldade. Pelo contrário, só os cinco maiores bancos registraram um lucro lí­quido de R$ 36 bilhões nos primeiros nove meses do ano."

A análise do saldo de empregos por faixa de remuneração deixa mais clara essa política dos bancos. O resultado foi positivo apenas para as faixas até três salários mín­imos, enquanto as faixas salariais acima desse patamar apresentaram saldos negativos. O maior saldo aconteceu na faixa de remuneração entre dois a três mín­imos, que teve crescimento de 17.521 vagas.

Mulheres discriminadas

A pesquisa Contraf-CUT/Dieese também demonstra com clareza a discriminação que as mulheres sofrem nos bancos. A média salarial das bancárias desligadas (R$ 3.759,23) é 24,5% inferior à dos bancários (R$4.978,38) que saí­ram. As mulheres já entram nos bancos ganhando menos que os homens. O salário médio delas, no ingresso, é de R$ 2.322,88 e o dos homens de R$ 3.031,86 - uma diferença de 23,4%.

Postado pela assessoria de imprensa : 13/12/2012
Fonte: Contraf-CUT

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