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23/05/2011

Contraf-CUT quer realocar bancários atingidos pela mudança na compensação

 

A Contraf-CUT exige a manutenção dos empregos e direitos dos trabalhadores atingidos pela mudança na compensação, a chamada truncagem de cheques ou compe por imagem. A troca deixa de ser efetuada de forma física para ser feita de maneira digital, por meio de imagem, e começou a partir da última sexta-feira (20). A medida afetará todos os bancos que terão 60 dias para adaptação ao novo sistema.

 

A situação de muitos trabalhadores ainda está indefinida, sem nova lotação. "Estamos cobrando todos os bancos para que os funcionários que forem atingidos pelas mudanças na compensação sejam realocados para outros departamentos ou para a rede de agências, a fim de que tenham seus empregos e direitos preservados", afirma o secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT, Miguel Pereira.


A mudança vai trazer uma grande economia para os bancos, que eles não escondem. Segundo o coordenador do Comitê Gestor do Comitê de Transporte Compartilhado de Malote da Febraban, Dario Antonio Ferreira Neto, o novo processo deve proporcionar uma economia de aproximadamente R$ 100 milhões por ano aos bancos, com a diminuição de mil roteiros terrestres e 50 aéreos.

Para a Febraban, no médio prazo, a estrutura tecnológica aplicada na compensação dos cheques, com os investimento dos bancos na compra de equipamentos e software de captura, reconhecimento e transmissão de imagem, poderão ser utilizada também em operações não-financeiras.

"Os bancos vão ganhar milhões de reais com esse novo sistema de compensação, na medida em que reduzem ainda mais os seus custos, aumentando ainda mais os seus lucros fabulosos. Os trabalhadores não podem sair perdendo, ficando sem os seus empregos e direitos", salienta Miguel.

"Essas pessoas têm de ser absorvidas pelos setores dos bancos, treinadas e com tempo para poder se adaptar às novas funções e ao próprio horário de expediente, uma vez que a maioria trabalhava nos perí­odos noturno e madrugada e passarão para o diurno", afirma a diretora executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ana Tércia Sanches. Os trabalhadores não podem ser penalizados.

A truncagem elimina o trâmite e a troca física do cheque e a captura da imagem é feita na boca do caixa ou nos terminais de autoatendimento. Neste último caso, a digitalização será feita posteriormente, na retaguarda.

Segundo Ana Tércia, todas essas mudanças implicarão em mais etapas de trabalho nas agências. "São tarefas que exigirão mais funcionários e, portanto, haverá vagas para aproveitar os trabalhadores da compensação atingidos com a mudança. Isso sem contar que as unidades, antes das alterações, já vêm sofrendo com sobrecarga de trabalho", acrescenta a dirigente sindical.

Agilidade

Segundo a Febraban, que desenvolveu o projeto compensação digital por imagem, juntamente com os bancos associados, dentro de dois meses, o prazo vai se reduzir para dois dias.

De acordo com o diretor Adjunto de Serviços da Febraban, Walter Tadeu de Faria, no caso de valores inferiores a R$ 299,99, o prazo de compensação cai para dois dias e para valores acima de R$ 300, será de apenas um dia. Em regiões de difícil acesso do País, a compensação, que é o conjunto de procedimentos que leva à troca de cheques por dinheiro, atualmente demora até 20 dias úteis.
"É mais um passo na modernização e aperfeiçoamento de processos bancários em benefício da sociedade", disse.

Conforme o executivo, a segurança é outra vantagem deste processo digital, já que a possibilidade de clonagem, extravio e roubo dos cheques fica reduzida, com a eliminação do trajeto físico do cheque. "Esperamos uma forte redução na clonagem e falsificação nos cheques que proporcionaram, em 2010, um prejuízo estimado em R$ 1,2 bilhão para o comércio e de R$ 283 milhões para os bancos", afirmou Faria.

Outro benefício importante é com relação ao meio ambiente. "Sem o transporte do cheque físico, quer seja por via terrestre ou aérea, estima-se uma redução de 15 mil toneladas anuais na emissão de C02 na atmosfera, uma vez que cerca de 37 milhões de quilômetros anuais deixaram de ser percorridos", afirma o diretor de Relações Institucionais da Febraban, Mario Sergio Vasconcelos.

Responsabilidade social

O diretor da Contraf-CUT cobra a responsabilidade social dos bancos, que não pode ser uma peça de marketing, mas que precisa ser praticada com ações concretas, como o respeito aos empregos e direitos dos trabalhadores impactados por novas tecnologias.

"Nós acreditamos que responsabilidade social se faz harmonizando emprego e tecnologia, na visão de uma sociedade mais justa e humana, pois as pessoas precisam ser colocadas em primeiro lugar", conclui Miguel.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo / por Assessoria de Imprensa 23/05/2011

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